Markup vs margem de contribuição: a diferença que decide se sua loja é lucrativa
Os dois usam os mesmos números, mas significam coisas diferentes. Confundir os dois faz seller achar que ganha mais do que ganha. Esse guia separa de uma vez por todas.
Os dois usam os mesmos números, mas significam coisas diferentes. Confundir os dois faz seller achar que ganha mais do que ganha. Esse guia separa de uma vez por todas.
Você compra um produto por R$ 60 e vende por R$ 100. Quanto você ganhou? A resposta correta é: depende de como você mede.
Em uma interpretação, você ganhou 66,7%. Em outra, você ganhou 40%. Os dois estão matematicamente certos. Mas se você toma decisão estratégica em cima do número errado, vai sair preocupado depois.
Markup é a porcentagem que você adiciona em cima do custo pra chegar no preço de venda. Pensa assim: "comprei por R$ 60, vou cobrar R$ 100. Adicionei R$ 40 — que é 66,7% sobre o custo de R$ 60."
A fórmula é:
Markup é prático pra calcular preço rápido: "preciso de 80% de markup sobre os meus custos → multiplica custo por 1,8". Comerciantes tradicionais usam isso há séculos. Mas pra medir lucratividade, ele engana — o número parece grande mesmo quando o lucro é fraco.
Margem de contribuição é a porcentagem do preço que sobra depois de descontar os custos variáveis. Você olha o preço total e pensa: "do que entrou na minha conta, quanto era lucro?"
Fórmula:
Margem é o conceito usado em relatório financeiro, balanço, decisão estratégica. É o que aparece em DRE, é o que banco/investidor olha, é o que define se sua loja tem saúde. Reflete a realidade: de cada R$ 100 que entra, R$ 40 sobra pra cobrir custos fixos e gerar lucro.
Olha de novo: mesmo cenário, R$ 40 de lucro absoluto. Markup diz 66,7%. Margem diz 40%. Markup é sempre maior em valor percentual (porque divide por número menor — o custo, não o preço).
Isso cria distorção quando você compara empresas, decide entrar em campanha de Ads, negocia com fornecedor. Cenário típico:
Reunião de negócio: "Nossa margem média é 50%". Todo mundo assina embaixo, projeta crescimento. Mas o cara estava falando de markup. Margem real é 33%. Quando começam a subtrair custos fixos (galpão, equipe, marketing), o EBITDA é metade do projetado. Surpresa desagradável em 90 dias.
No ML, calcular margem real é mais complicado porque "custos variáveis" tem 5-6 componentes:
Tudo isso entra no cálculo de margem de contribuição real. Quem só desconta custo de aquisição e comissão tá enganando a si mesmo. Veja nosso guia de 5 erros de precificação pra mais sobre os custos invisíveis.
Use markup quando: precisa calcular preço de venda rápido a partir do custo. "Custo R$ 30, quero markup de 100% → preço R$ 60." Fórmula prática, decisão de dia-a-dia.
Use margem de contribuição quando: avaliando saúde do negócio, projetando crescimento, comparando produtos, decidindo entrar em campanha de Ads, conversando com sócio ou investidor. Aqui o número precisa refletir realidade.
Markup é (lucro/custo) × 100 — usa o CUSTO como denominador. Margem é (lucro/preço) × 100 — usa o PREÇO como denominador. Por isso, mesmo número absoluto de lucro dá percentuais bem diferentes. Em R$ 60 de custo + R$ 40 de lucro = R$ 100 de preço: markup é 66,7%, margem é 40%.
Margem de contribuição é o conceito correto pra precificação. Markup é uma fórmula prática pra calcular preço a partir do custo, mas é fácil de interpretar errado e te fazer achar que ganha mais do que ganha. Pra decisão estratégica, use margem; pra cálculo rápido de preço de venda, markup serve.
Porque markup é o "termo do varejo tradicional" (loja física, distribuidor), enquanto margem é o "termo contábil". Quem aprendeu vendas com pessoal do varejo usa markup. Quem aprendeu com contador ou business analyst usa margem. Os dois estão certos, mas representam coisas diferentes — confundir os dois leva a decisões erradas.
Margem de contribuição = (Preço - Custos Variáveis) / Preço × 100. No ML, custos variáveis incluem: custo de aquisição, comissão (11% Clássico ou 16% Premium), imposto efetivo, frete subsidiado (quando aplicável), tarifa fixa e provisão pra inadimplência. Tudo isso entra na conta. Custo fixo (galpão, salário) NÃO entra no cálculo de margem de contribuição — só de margem líquida.
Continue lendo: 5 erros de precificação · Precificação dinâmica
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